Não é só o Brasil que está atrás do hexa. Com cinco acessos para a Série A no currículo, o técnico Guto Ferreira busca cumprir o objetivo pela 6ª vez na carreira, agora pelo Vila Nova, que jamais conquistou esse feito na era dos pontos corridos. O treinador, antes mesmo de estrear pelo Tigre, já deixou bem claro que acredita nessa possibilidade.“Se a torcida tem esperança de achar que o Vila é o maior desafio, talvez em termos de tempo (41 anos sem disputar a Série A) possa ser. Mas em questão do que você tem em mãos de ferramenta, de estrutura, não é. Não é. Eu peguei times como o Sport totalmente sucateado, com dificuldade financeira, mas nós tivemos tempo para trabalhar. E nós conseguimos. Então eu acredito no Vila por tudo o que ele está proporcionando”, analisou Guto Ferreira.Os acessos da carreira do técnico foram os seguintes: Ponte Preta, em 2014; Bahia, em 2016; Internacional, em 2017; Sport, em 2019; e Remo, em 2025. Todas essas conquistas tiveram contextos bastante diferentes.Em 2014, a Ponte Preta vivia uma temporada turbulenta depois de ter sido rebaixada no Brasileirão de 2013. A Macaca teve três treinadores diferentes no ano antes de buscar Guto Ferreira, que havia trabalhado no clube paulista entre 2012 e 2013 (ele comandou o time apenas em quatro jogos da Série A de 2013).Guto Ferreira estreou na 14ª rodada da Série B de 2014, quando a Ponte Preta era a 10ª colocada. Sob seu comando, a Macaca deslanchou no campeonato e foi vice-campeã, ficando a apenas um ponto do Joinville. O ex-volante Adilson Goiano esteve no elenco da Ponte Preta e detalhou a experiência ao POPULAR.“Conseguimos o acesso com quatro rodadas de antecedência, perdendo o título no último jogo em Recife, diante do Náutico. Guto foi um dos melhores com quem trabalhei. Tático, inteligente e estudioso, procura entregar ‘mastigadinho’ no dia a dia para os atletas o caminho das vitórias”, comentou.Adilson Goiano também contou que Guto Ferreira mescla bem a experiência com a juventude e sabe como armar as suas equipes, tanto quando precisa propor o jogo, quanto em situações nas quais precisa reagir. Segundo o ex-jogador, o técnico monta times competitivos, valoriza a bola parada e entende bem o caminho da Série B, sabendo conquistar o acesso como ninguém.“Hoje o que me deixa entusiasmado e esperançoso com o trabalho do Guto no Vila é a questão de ele se dar em times de torcida grande e apaixonada. Cito e comprovo minha tese com os resultados positivos que ele teve com o Bahia, Ceará, Sport e a própria Ponte Preta, clubes esses que também têm uma torcida apaixonada e calorosa como a do Vila. Esse ano vai, Vila rumo à Série A”, projetou Adilson Goiano.No acesso de Guto Ferreira com o Bahia em 2016, o treinador também chegou “com o bonde andando”. Contratado em junho daquele ano - na Ponte Preta, ele havia sido contratado em julho -, o técnico estava na Chapecoense, recebeu proposta do Tricolor de Aço e mudou de rumo. Essa decisão mudou a vida de Guto Ferreira, porque o acidente aéreo que vitimou a maior parte da delegação da Chape aconteceu três meses depois.Guto Ferreira estreou pelo Bahia na 13ª rodada da Série B de 2016, quando o time era 9º colocado. A equipe nordestina terminou em 4º lugar e garantiu a vaga na elite na última rodada, mesmo perdendo a sua partida derradeira para o campeão Atlético-GO.No ano seguinte, Guto Ferreira subiu outro clube de divisão. O Internacional, que havia caído em 2016, oficializou a contratação do treinador em maio de 2017. A estreia dele ocorreu na 4ª rodada, quando o Inter era o 10º colocado. Ele foi demitido em novembro, a três rodadas do fim, quando a equipe estava a um empate do acesso. Ao fim do campeonato, o time gaúcho terminou em 2º e foi vice-campeão.Em seguida, veio o acesso pelo Sport em 2019. Guto Ferreira chegou ao clube em fevereiro daquele ano, antes mesmo da estreia na Série B. Na época, o time pernambucano vivia uma crise provocada pelas eliminações na Copa do Nordeste e na Copa do Brasil. O Sport foi vice-campeão da Segundona e subiu para a 1ª divisão.Por fim, Guto Ferreira impulsionou o Remo a um acesso inédito na era dos pontos corridos no ano passado, encerrando a sequência de 31 anos sem que a equipe paraense frequentasse a Série A. Em setembro de 2025, o treinador foi contratado e estreou na 29ª rodada, quando o Leão estava em 12º. A equipe subiu na última rodada e ficou em 4º.“Essa questão agora recente do Remo: nós chegamos precisando vencer oito de dez (jogos). E os jogadores compraram a ideia desde o primeiro instante. Nós avaliamos algumas questões buscando recuperar algumas características muito boas da equipe na época. E conseguimos. Aí o primeiro resultado aconteceu, o segundo... daqui a pouco um estava impulsionando o outro”, comentou.Guto Ferreira vai estrear no comando do Vila Nova na próxima quarta-feira (1º), às 19 horas, contra o Sport na Ilha do Retiro, pela 2ª rodada da Série B.