-Imagem (1.2037512)A Libertadores da América, que reúne as melhores equipes de uma temporada no futebol sul-americano, é o sonho de quase todos os torcedores. Em Goiás, os esmeraldinos foram os únicos a experimentar o sabor de disputar a competição e isso ainda os enche de orgulho a ponto de ecoar nas arquibancadas uma música em referência ao torneio continental. A memória segue viva não apenas no imaginário do torcedor, mas na lembrança dos personagens que fizeram essa história em 2006.O Goiás conquistou o direito de disputar a Libertadores após sua melhor campanha na história do Campeonato Brasileiro: o 3º lugar em 2005. A equipe bem treinada pelo técnico Geninho surpreendeu e chegou a brigar por coisa melhor com Internacional e Corinthians. O treinador lembra que a manutenção de uma espinha dorsal de um ano para o outro fez com que o time esmeraldino conseguisse uma campanha digna em sua estreia na Copa Libertadores.“A estratégia foi manter a base daquele time de 2005. Talvez, por isso, conseguimos largar bem porque a 1ª fase era logo um mata-mata e fizemos muito bem. Depois, o time ganhou muita moral e encarnou bem o espírito da Libertadores”, lembrou o técnico Geninho, que está no Vitória e cumpre a quarentena em Santos (SP).Uma das caras novas para o elenco de 2006 foi o volante Vampeta, pentacampeão com a seleção brasileira e que chegou ao clube esmeraldino por empréstimo para reforçar a equipe e dar mais experiência para a disputa da Libertadores. “O elenco já tinha grandes jogadores. Era um time maduro, muito forte. Para mim, foi uma honra, pois fui campeão goiano e consegui jogar uma Libertadores”, frisou o ex-jogador. Vampeta listou nomes como os de Roni, Romerito e Souza para endossar sua visão de que o time estava preparado para encarar a competição sul-americana.Nome que ficou consolidado no futebol goiano nos últimos anos pelo seu faro de gol, o atacante Nonato esteve em campo em todos os dez jogos da campanha esmeraldina e marcou duas vezes, uma contra o The Strongest, da Bolívia, e outra contra o Estudiantes, da Argentina. O veterano de 40 anos lembra com carinho de sua única vez que disputou o torneio continental.“Foi minha única Libertadores. Lembro que éramos sempre tratados com muito respeito por onde passávamos. Tínhamos jogadores muito conhecidos no elenco como o Jardel, o Vampeta, o Roni. Os caras nos respeitavam e fomos chegando. Só fomos eliminados pelo Estudiantes em um jogo em casa, pelo critério de gol fora de casa”, lembrou Nonato.A eliminação para o Estudiantes com derrota na Argentina, por 2 a 0, e vitória no Serra Dourada, por 3 a 1, é lamentada por muitos que fizeram parte daquela campanha. Para jogadores e técnico, o gosto que ficou é que o Goiás poderia ter ido além das oitavas de final na competição.“Por tudo que fizemos na 1ª fase (de grupos) e pelo tipo de jogo que fizemos nas oitavas de final, ficou aquele gostinho de que poderíamos ir mais longe”, avaliou o técnico Geninho. “O grupo acreditava que poderia chegar à final, pois nossa campanha foi excepcional. A verdade é que não estávamos acostumados a jogar mata-mata de Libertadores, pegamos o Estudiantes que estava acostumado. O sentimento foi de frustração por todo ambiente montado para o jogo. Se nós nos classificássemos, iríamos pegar o São Paulo e já tínhamos vencido o time deles no Brasileiro (de 2005)”, lembrou o zagueiro Rogério Corrêa.O ex-lateral esquerdo Jadílson era uma das peças importantes do time esmeraldino montado pelo técnico Geninho. Como o esquema tinha três zagueiros, os alas eram fundamentais na criação de jogadas ofensivas. Jadílson, inclusive, marcou um dos gols esmeraldinos na vitória sobre o Deportivo Cuenca, do Equador, em Goiânia. Aquela seria a primeira de uma série de edições de Libertadores disputadas pelo lateral.“Já tinha jogado uma Copa Sul-Americana pelo Fluminense, mas foi a minha primeira Libertadores e com o Goiás. Depois, joguei mais três vezes com São Paulo, Cruzeiro e Grêmio. Infelizmente, não conquistei nenhuma, mas sabemos que é uma competição muito difícil”, comentou Jadílson.Na outra extremidade do campo estava Vítor. O lateral direito ainda lamenta a forma como o Goiás foi eliminado da competição, mesmo jogando um bom futebol contra o Estudiantes. “Fomos desclassificados jogando bonito. Por ser a primeira Libertadores do Goiás, para mim, ficaram marcados dois episódios: a primeira partida contra o Deportivo Cuenca e também o jogo, em casa, em que fomos eliminados. Nosso grupo era muito bom e muitos jogadores saíram dali para grandes clubes”, lembrou Vítor.***Em um momento de futebol paralisado por causa da pandemia do novo coronavírus, “a lembrança é a melhor defesa”. A partir deste sábado (18), O POPULAR começa esta série especial com matérias sobre temas do passado e relembram a história do esporte goiano. Mande sua sugestão de pauta para esporte@opopular.com.br.-Imagem (1.2037574)