Em duas quadras de saibro no setor Faiçalville, em Goiânia, Luis Augusto Queiroz Miguel, o Guto Miguel, deu salto técnico na carreira que ajudou o jovem goiano a fazer história e conquistar o título de simples no torneio júnior de Roland Garros, em Paris. Sob treinamentos de Irismar Bueno e Andrei Bueno, pai e filho, o tenista hoje com 17 anos aprimorou técnica ao ponto de precisar de uma estrutura que Goiás não oferecia. Teve de deixar o Estado para treinar, estudar e morar em Brasília.Guto Miguel começou a treinar tênis por causa da influência do pai, Luis Miguel da Silva Júnior, que jogava de maneira amadora. O goiano é o mais novo de três filhos que cresceram envolvidos com o esporte e praticam a modalidade.O pai gostava de levar os filhos para treinar no Clube Social Feminino, em Goiânia. Com o passar dos anos, ao perceber a evolução de Guto Miguel, Luiz Miguel levou o filho para treinar com treinadores especializados. Primeiro, o tenista foi treinado por Marcela Bueno, ex-tenista profissional e que dá aulas particulares. Depois, o pai decidiu levar o filho para treinar com um amigo de infância: Irismar Bueno, ex-tenista, e dono, ao lado do filho, Andrei Bueno, do Centro Esportivo ProTênis.“Quando o Guto começou aqui, ele era novinho. Tinha 11 pra 12 anos. A gente já o conhecia antes por causa da amizade. Ele sempre foi um garoto muito do bem, que amou jogar tênis. Ele tem paixão pelo que faz. É um diferencial do Guto. Depois de torneios e treinos, ele queria ficar na quadra para bater bola com outras pessoas. Não queria sair da quadra, sempre foi apaixonado pelo esporte”, contou Andrei Bueno, que trabalhou com Guto Miguel por dois anos.Desde novo, Guto Miguel mostrou técnica aprimorada e sempre foi dedicado ao esporte. Em 2023, junto com a família e após conversar com os treinadores, o tenista decidiu avançar na carreira e conseguiu uma vaga para treinar na escola Dumont Tênis, em Brasília. Ele defende a equipe até hoje, é treinado por Santos Dumont e Kike Grangeiro, que integram o time de treinadores da academia.“O Guto chegou em um patamar (em 2023) em que ele estava jogando tão bem que o ProTênis e o Estado de Goiás ficaram pequenos para ele em nível de estrutura para ele crescer no esporte. A gente também não conseguia acompanhar ele em todos os torneios. Em Brasília, eles conseguem. O nível que ele ocupa hoje e toda estrutura que tem é de atleta profissional”, completou Andrei Bueno.Pai e filho assistiram à partida histórica de Guto Miguel juntos, no sábado (6), na escola onde o tenista treinava. “Você vê alguém que passou pela sua mão, e de outros professores, chegar nesse momento. Ele chegou aqui e conseguimos agregar valores tenísticos e morais para ele. Isso vai perpetuar na vida dele, como tenista e ser humano. Quando ele se jogou de costas na quadra, para a gente tem sabor diferente por ter sido no saibro, foi uma sensação indescritível. Traduzir a emoção em palavras é difícil, mas a vitória do Guto mostra que fizemos algo que valeu a pena”, declarou Irismar Bueno, que é amigo pessoal do pai de Guto Miguel e mantém relação próxima com o tenista goiano.Na segunda-feira (8), Guto Miguel mandou uma mensagem para Andrei Bueno em áudio após receber vídeos e fotos antigas dele treinando em Goiânia. “Vocês fazem parte da nossa história. É só o começo, tem muito mais por vir”, afirmou o tenista goiano em um áudio enviado aos ex-treinadores.Para os ex-técnicos, Guto Miguel tem potencial para fazer história e ampliar os feitos no tênis. “Se ele quiser ser campeão de Roland Garros em 2030, ele pode ser. Querer não é poder, mas quem trabalha duro pode ter resultado. Sem trabalho duro, não vai ter resultado, e o Guto trabalha muito há anos”, acrescentou Irismar Bueno.