O Atlético-GO garantiu o direito de decidir o título do Campeonato Goiano, contra o Goiás, utilizando nova versão tática nos clássicos disputados diante do Vila Nova, na 1ª fase e na semifinal. O Dragão ganhou na 1ª fase (2 a 1), novamente foi vencedor na partida de ida da semifinal (2 a 0) e segurou a vantagem no jogo da volta no último domingo (1º), com empate sem gols e classificação à decisão.O técnico Rafael Lacerda apostou numa solução interna que acabou se tornando o antídoto para conter o que o time vilanovense tinha de venenoso - o volante e meia João Vieira, autor de cinco gols no Goianão e articulador da equipe. Para anular esse trunfo colorado, o técnico do Dragão recorreu ao meia atacante Ariel, de 27 anos e reserva no Atlético-GO em boa parte da Série B de 2025 e na disputa do Goianão de 2026.Reserva, mas sem deixar de se esforçar nos treinos, Ariel mudou primeiramente o rumo do futuro dele no Dragão. Rafael Lacerda passou a confiar no antigo camisa 10 do Anápolis, decidindo recuá-lo nos três clássicos para ser a sombra de João Vieira. Mas de onde veio esta percepção? E como o jogador, antes habilidoso e goleador no Galo da Comarca, se tornou tão importante taticamente?“O Ariel é um jogador que tem muita qualidade. Ele tem dinamismo, consegue ver e entender o jogo. Também consegue cumprir o que é pedido (pelo técnico). É um jogador que pode ser decisivo. Vejo que tem um cognitivo muito bom”, elogiou Luiz Carlos Winck, treinador que formou bons times no Anápolis e foi o responsável pela indicação do jogador ao clube, quando passou a se estruturar para ser um time mais competitivo no Goianão e para mirar vaga nos torneios em nível nacional. Ariel era conhecido dele desde os tempos de categoria de base do Inter-RS e nas passagens pelo Clube Esportivo Lajeadense, de Lajeado-RS.O “cognitivo muito bom” também foi a percepção de Rafael Lacerda para encarregar o jogador gaúcho, natural de Erechim (RS), para virar peça importante do Atlético-GO no sistema tático.Como o time atleticano tem encontrado dificuldades para definir dois bons extremos, no ataque, Lacerda voltou às origens dele. Não se importou em reforçar o meio-campo, com um volante (Leandro Vilela), Ariel (de 8 ou 11), Igor Henrique e o 10, Guilherme Marques. A decisão foi amadurecida após derrota para a Jataiense (3 a 1).“O João (Antônio, auxiliar técnico) me deu a sugestão. O Ariel vem de um lugar de onde venho. Nunca deixou de trabalhar. Ele é um jogador que é sangue, é coração”, descreveu Rafael Lacerda após o primeiro triunfo sobre o Vila Nova (2 a 1), ainda na 1ª fase. A formação teve Igor Henrique, Ariel (como 8) e Guilherme Marques naquela ocasião.Nos números coletados pela comissão técnica, em termos de desempenho físico, Ariel foi o que mais correu no clássico da 1ª fase - 13 kms. Desde então, Lacerda não teve dúvidas de que teria de anular João Vieira novamente e precisava de um jogador que fosse sanguíneo e aplicado. Rafael Lacerda conhece a capacidade de João Vieira e usou o conhecimento para apostar em Ariel, sem muita conversa, para escalá-lo.No Atlético-GO, Ariel trocou os gols e a presença ofensiva por versatilidade e muita aplicação. Para Luiz Carlos Winck, o jogador tem a capacidade de atuar em qualquer função no meio-campo e até como “falso 9”, no ataque, mas não se adapta à função de extremo.No início deste ano, Winck sugeriu à diretoria do Anápolis que procurasse o Atlético-GO para emprestar o jogador. Porém, Ariel já estava nos planos de Rafael Lacerda para 2026.Os números de Ariel são modestos no Atlético-GO- 23 atuações, ainda sem fazer gol. No último domingo (1º), teve chance de marcar, mas parou na boa defesa do goleiro Dalberson, no primeiro tempo. Pelo Anápolis, o meia se destacou de 2022 a 2025. Ele foi escolhido duas vezes (2023 e 2025) o melhor meia do Estadual, em votação aberta à imprensa.Passou pelo Goiás, em 2023, mas não teve chances para se firmar. No Galo da Comarca, retornou no segundo semestre de 2024, para ser vice da Série D. Ano passado, Ariel foi vice do Goianão, na final diante do Vila Nova, e conquistou o título de Campeão do Interior pelo Anápolis.