O caso de racismo denunciado pelo atacante Berto, do Operário-PR, após a partida em que a equipe paranaense foi derrotada por 2 a 1 pelo Vila Nova, na noite de sábado (18), no Estádio Onésio Brasileiro Alvarenga (OBA), terá desdobramentos policiais e, possivelmente, na Justiça. O jogador disse ter sido chamado de “macaquinho” depois do encerramento da partida. Houve confusão e o caso foi encaminhado e registrado na Central de Flagrantes de Goiânia.Na confusão generalizada, além da denúncia de racismo, alguns objetos foram atirados em direção às pessoas que estavam na tribuna do estádio por dois jogadores do Operário-PR - na súmula, a arbitragem relata que Berto (número 14) e Jhan Pool Torres (número 18) jogaram as peças e vice-versa. Garrafa atirada para o campo atingiu o presidente do Operário-PR, Álvaro Góes, que ficou com o rosto sangrando e caiu no chão.Natural de Cabo Verde, José Hildeberto José Pereira Morgado, o Berto, chorava muito fora do campo de jogo. Foi quando contou que foi chamado de “macaquinho”. Ele e o presidente do Operário-PR, Álvaro Góes, foram encaminhados à Central de Flagrantes para o registro do boletim de ocorrência (BO).Os dirigentes do Vila Nova também acompanharam de perto o caso. O vice-presidente financeiro e ex-presidente do clube, Hugo José Bravo, era um deles. Os policiais do Batalhão Especializado de Policiamento em Eventos (Bepe) também ouviram o jogador antes de ser encaminhado à Polícia Civil (PC).Em contato com o POPULAR, o advogado do Vila Nova, Rodrigo Menezes Turkin, informou que o clube tomou providências assim que houve a denúncia de racismo no estádio. Seriam dois torcedores. Segundo ele, um dos identificados pelo sistema facial do OBA foi encaminhado à Central de Flagrantes, mas o outro, não.“Assim que o jogador (Berto) indicou quem seriam os supostos torcedores, utilizamos o reconhecimento facial do estádio e identificamos quem era, passamos ao Bepe e eles entraram em contato para se dirigirem até a Central de Flagrantes. Um foi e outro não”, explicou o advogado vilanovense.Segundo o advogado, os torcedores acusados “negam o fato”. Um deles teve o nome e a imagem viralizados nas redes sociais, “mas está em contato com a Polícia”, acrescentou Rodrigo Menezes. “O Vila está apenas acompanhando e tentando auxiliar na identificação e se, de fato, houve algo mesmo.” Rodrigo Menezes explicou que o caso “está com a PC pra definir”.Assim que a confusão iniciou, os jogadores do Operário-PR teriam atirado garrafas contra os torcedores. Berto pediu desculpas pelo ato antes de ser encaminhado à Central de Flagrantes. O presidente do Operário-PR, Álvaro Góis, foi atingido, assim como o ex-presidente do Vila Nova, Geso Oliveira. Ele recebeu atendimento médico na ambulância que estava no estádio. Precisou de pontos na boca e também foi encaminhado à autoridade policial.Rodrigo Menezes revelou que os dois jogadores do Operário-PR também foram “conduzidos por lesão corporal por terem atirado as garrafas na torcida”.O Vila Nova se preocupa com o caso e com o que pode acarretar em termos de punição. Não é a primeira vez que isso ocorre no OBA. Em janeiro de 2021, pela fase final da Série C de 2020, o jogador Jefferson Renan também denunciou ter sido xingado de “macaco” no estádio.Vila Nova e Operário-PR também se manifestaram nas redes sociais sobre a denúncia. O Vila Nova afirma que “não medirá esforços para a apuração dos fatos”. Na nota oficial emitida pelo clube paranaense, foi ressaltado que “o ambiente foi marcado por elevada tensão” após a confusão e a denúncia, mas que a diretoria vilanovense teve “postura colaborativa” após o jogo.