Van Gogh produziu algumas das obras mais marcantes da história da arte, mas viveu oscilações de humor (Adobe Stock) No dia 30 de março, o mundo volta a atenção para uma das condições psiquiátricas mais complexas e ainda cercadas de incompreensão: o transtorno bipolar. A data foi escolhida em referência ao nascimento de Vincent van Gogh, cuja trajetória artística extraordinária conviveu com períodos de intenso sofrimento psíquico. A escolha é simbólica. Van Gogh produziu algumas das obras mais marcantes da história da arte, mas viveu oscilações de humor que, à época, não encontravam compreensão nem tratamento adequados. Morreu aos 37 anos, durante um episódio depressivo grave. Mais de um século depois, a psiquiatria avançou de forma significativa. Ainda assim, na prática clínica, persiste um intervalo relevante entre o início dos sintomas e o diagnóstico correto, muitas vezes superior a uma década. Segundo o médico psiquiatra Dr. Leonel Freitas, esse atraso está diretamente ligado à complexidade do quadro. “O transtorno bipolar não se revela de forma linear. Ele exige uma análise cuidadosa da história do paciente ao longo do tempo, e não apenas de sintomas isolados”, explica.