A literatura salva. Ela salva a memória, salva o registro da cultura e dos costumes, salva a linguagem. No caso do escritor Carmo Bernardes, que morreu há 30 anos, a literatura salvou e continua salvando o imaginário do sertão, salvando o caçador do ataque sorrateiro da onça, salvando os amores ardentes e frustrados de Ermira numa fazenda perdida nas distâncias do Cerrado, salvando a olhar arguto sobre o cotidiano que só a crônica consegue oferecer. Nessas três décadas de ausência desse autor de obras fascinantes, como A Ressurreição de um Caçador de Gatos e Jurubatuba, a literatura também salvou a memória daquele mineiro de nascimento e goiano de adoção, um dos grandes tradutores de uma gente geralmente esquecida, de sabedoria descomunal e valentia a toda prova. “Carmo Bernardes é um dos grandes escritores da literatura goiana e brasileira. As comparações e aproximações que muitos críticos fazem com a obra de Guimarães Rosa não nos parecem exageradas”, considera Marlon Salomon, coordenador de publicações da Editora da Universidade Federal de Goiás, que na sexta-feira (24), numa cerimônia que contou com a presença das herdeiras do autor, oficializou o acordo para a publicação da obra completa de Carmo a partir deste ano, como o POPULAR antecipou em agosto de 2025. “Sempre quis continuar o legado do meu pai e apareceu a oferta da UFG. Aceitei de pronto. Conversei com a família e todos concordaram”, relata Ana Maria do Carmo, uma das filhas do escritor. Um projeto que recolocará em catálogo títulos relevantes e trará novidades.