O escritório de trabalho do escritor e jornalista Lira Neto já está diferente. Um dos principais biógrafos do País, ele acaba de lançar Oswald de Andrade: Mau Selvagem, seu mais recente trabalho, no qual mergulha na vida cheia de contradições, polêmicas e genialidade do escritor que foi um dos pilares do Movimento Modernista. Mas Lira já está embrenhado na trajetória de outro ícone de nossa cultura: Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. Imagens do Velho Lua cercam o autor enquanto ele não esconde o prazer de falar do biografado anterior, o escritor que define como seu “pai espiritual”. Nessa conversa exclusiva com O POPULAR, Lira Neto fala como foi apurar e escrever a biografia de Oswald, abordando suas obras vanguardistas, seus ideários revolucionários, suas guinadas ideológicas e seus amores intensos, entre os quais estiveram a pintora Tarsila do Amaral, a autora e militante comunista Patrícia Galvão (Pagu) e a uma jovem chamada Daisy, que morreu em circunstâncias trágicas. Entre escândalos em sua vida íntima e desentendimentos públicos, entre utopias apaixonadas e amizades rompidas, entre fases de vida faustosa e falência financeira dramática, Oswald de Andrade teve uma trajetória cheia de reviravoltas, de utopias e de encontros únicos com muitos dos principais artistas de seu tempo. É nesse emaranhado de referências e fatos quase inacreditáveis que o livro de Lira Neto nos convida a entrar, percorrendo um tempo e personalidades que ajudaram a moldar a cultura brasileira.