Há 39 anos, uma cadeira recebeu um objeto que ninguém naquele local sabia exatamente o que significava. Era 28 de setembro de 1987 quando Maria Gabriela, depois de percorrer a cidade em busca de ajuda, entregou a uma repartição da Vigilância Sanitária um saco e um vasilhame metálico que continham parte do que havia sido retirado das ruínas do antigo Instituto Goiano de Radioterapia. O material foi colocado sobre uma cadeira e permaneceu ali durante um período. O que parecia uma espera burocrática se desdobraria em um dos episódios mais graves da história de Goiânia. A semana começou, nesta segunda-feira (28), com a cadeira novamente espalhada pela cidade. Uma réplica criada pelo artista Glauco Gonçalves foi instalada, nas primeiras horas do dia, em quatro lugares relacionados à trajetória do acidente: o Palácio das Esmeraldas, o Centro de Convenções e dois pontos na região das ruas 57 e 26 A. As cadeiras já não estão mais nesses locais, mas a imagem que elas produziram permanece como uma pergunta sobre o que Goiânia fez e deixou de fazer diante de sua própria história.