Basta uma navegada pela internet para se convencer, ou ao menos ficar tentado, a ter um bichinho de estimação. Os argumentos aparecem em forma de pesquisas que apontam benefícios para a saúde mental, estudos que destacam a redução no nível de estresse ou depoimentos de quem garante estar muito mais bem humorado desde a chegada do mascote.Seja como for, a máxima “quem mora com um animal é mais feliz” só é verdadeira caso as regras da boa convivência sejam cumpridas. E ninguém melhor para falar sobre elas do que Alexandre Rossi, mais conhecido como Dr. Pet.O zootecnista, que estará em Goiânia segunda-feira (27), no Congresso Zootecnia Brasil (fechado para profissionais da área), para falar sobre causas e efeitos das modificações comportamentais dos animais, conversou com o POPULAR e destacou a eficiência do chamado adestramento inteligente, método baseado em reforços positivos que valoriza as atitudes corretas, na criação de bichos mais educados e calmos.À frente do Missão Pet, transmitido pelo canal por assinatura Nat Geo, e dono de um quadro fixo no programa É de Casa, da Globo, Alexandre acredita que qualquer um pode dividir a casa, e a vida, com um animal de estimação.“Existem soluções para todos os perfis de donos. Quem passa pouco tempo em casa, por exemplo, pode optar por um gato, que é um animal mais solitário, ou receber dois cães, ao invés de um. Assim, eles se fazem companhia”, explica.O mais importante é, independente da espécie ou da quantidade, seguir a cartilha da boa convivência, tornando o ambiente agradável para o bicho e lembrando que a casa também será dele. “Em algum momento, ele vai desobedecer uma regra ou outra. Então, a adaptação é fundamental. Retirar do alcance objetos que, se destruídos, causariam uma chateação grande ao dono é um bom começo.”Adestramentointeligente “Podemos mudar o comportamento de qualquer animal reforçando o positivo.” Levando em conta a conduta exemplar de Estopinha - vira-lata que adotou e hoje sua assistente oficial -, o lema do zootecnista parece inquestionável.Ele conta que a cadela, vítima de abandono, chegou a ser devolvida duas vezes ao abrigo por ser inquieta e sapeca e que hoje sabe respeitar as regras. “O foco do adestramento inteligente é ensinar o animal e reforçar quando ele age da maneira correta. É claro que alguns comportamentos pontuais, como brincadeiras que podem machucar, precisarão ser inibidos.”O que muda, diz, é a maneira que a bronca é dada. Se o cachorro mastiga os pés da cadeira, é melhor passar ali um spray de gosto amargo e colocar petiscos dentro do brinquedo que ele deve morder. Assim, estimula-se uma atitude correta sem precisar gritar. “Se eu estiver vendo ele fazer algo errado, posso usar a técnica do desconforto, como uma palma ou um jato de água. Conversar com o animal normalmente causa uma reação oposta, porque eles adoram nossa atenção. Machucá-los também não vai fazer com que eles associem aquele ato a uma coisa ruim.”