A Globo anunciou nesta terça-feira (29) que fará uma grande mudança no comando do seu Jornalismo em 2024. A partir de janeiro, Ricardo Villela será o novo diretor geral de Jornalismo da Globo. Até então diretor-executivo de Jornalismo, Villela sucederá Ali Kamel, que passará a ocupar a recém-criada função de coordenador do Conselho Editorial do Grupo Globo, presidido por João Roberto Marinho.Kamel estava no comando do Jornalismo da Globo desde 2009. Segundo a emissora, a movimentação atende a um desejo de Ali Kamel de deixar as funções executivas e as atividades diárias depois de 34 anos no Grupo Globo, 22 deles na Globo e em posições de liderança. O pedido de Kamel, segundo carta escrita por Paulo Marinho, diretor-presidente da Globo, aconteceu no ano passado.Parceiro de Ali desde 2005, quando chegou na Globo, Ricardo Villela foi editor de política, editor-executivo e editor-chefe do Jornal da Globo, coordenou o Jornal Nacional, chefiou a redação de São Paulo, dirigiu a redação de Brasília e ocupava, há dois anos, a diretoria-executiva de Jornalismo. Ricardo Villela já vinha trabalhando fortemente nos bastidores. Foi ele quem cuidou mais de perto das demissões que aconteceram na emissora entre abril e maio, e que envolveram o Jornalismo.Por causa da saída de Kamel, outras mudanças vão acontecer na direção de Jornalismo da Globo. Em janeiro, a vaga de Villela terá à frente Miguel Athayde, atual diretor da Globo News. Vinícius Menezes, hoje diretor regional de jornalismo no Rio de Janeiro, assumirá o comando do canal de notícias. A liderança da redação no Rio de Janeiro será de Marcio Sternick.Na carta informando a mudança, Paulo Marinho conta que “em julho do ano passado, Ali Kamel procurou a mim e ao João Roberto Marinho para falar de planos para o futuro. Após intensos 34 anos dedicados a funções executivas no Grupo Globo, 22 deles na Globo, disse que gostaria de desacelerar. Passada a surpresa inicial, já que Ali está no auge de sua capacidade de pensar jornalismo e gerir redações, procuramos entender suas motivações”.Segundo ele, “em primeiro lugar, o desejo de experimentar uma rotina diferente da exigida pelos desafios diários dos cargos de liderança em jornalismo. Ao Ali, nunca faltou entusiasmo pela profissão. Seu grau de comprometimento e dedicação sempre foi extremo, sua lista de realizações, enorme. Era natural que chegasse o dia em que desejasse mais tempo para outras atividades. Em segundo lugar, a certeza de ter desenvolvido profissionais capazes de seguir praticando um jornalismo baseado na pluralidade, isenção e busca pela apuração precisa dos fatos”.Para Paulo Marinho, essa é “uma parceria difícil de abrir mão. Ali sempre foi um companheiro sereno, íntegro, decisivo. Ao longo dos últimos 22 anos, coordenou a cobertura de seis eleições presidenciais e cinco eleições municipais. Entre tantos projetos, como ‘Caravana JN’, ‘JN no Ar’, ‘O Brasil que Eu Quero para o Futuro’ e ‘Brasil em Constituição’, foi dele também, em 2002, a ideia ousada de entrevistar os candidatos à Presidência durante o ‘Jornal Nacional’, algo até então inédito e que hoje se tornou um evento central, aguardado e muito esclarecedor das campanhas eleitorais”.O diretor ressalta que quem conhece bem o Ali “sabe que, de todas as coberturas nesses anos todos, a que lhe demandou mais, profissional e emocionalmente, foi a da pandemia. Justamente quando o jornalismo seria mais necessário e nossas equipes mais exigidas, as condições de trabalho impostas pela realidade eram as mais duras. Sob sua liderança, os telejornais cresceram de tamanho, um programa diário dedicado à pandemia foi criado do zero em 24 horas, o espaço do noticiário disparou. Colegas adoeceram. Em meio a tanto empenho de todas as equipes, Ali, além da minuciosa supervisão do trabalho jornalístico em si, passou a incluir duas novas tarefas em sua rotina. Diariamente, escrevia ou telefonava para os colegas doentes ou seus parentes em buscas de notícias de um a um”.E mais: “À noite, enviava a todos um relatório intitulado ‘Nossos colegas’, com um balanço transparente dos doentes e recuperados. Muitos colegas nossos se lembram com emoção desse gesto. Após deixar a direção geral de Jornalismo da Globo, as atividades diárias e as funções executivas, Ali, a convite de João Roberto Marinho, assumirá a posição agora criada de coordenador do Conselho Editorial do Grupo Globo. Numa conversa recente, João, que preside o Conselho com grande engajamento, resumiu assim sua decisão: ‘Trabalho junto com o Ali desde o início da década de 90, uma relação profissional de muita confiança e respeito. Ao convidá-lo para me ajudar no Conselho, minha ideia é continuar a contar com sua capacidade de reflexão e análise. Estou convencido que será muito positivo para todo o grupo’.”