Menstruação. Apesar dos avanços e da popularização do discurso sobre autocuidado, o fenômeno, inerente à experiência feminina, ainda carrega mitos, constrangimentos e silêncios. Discutir como as variações hormonais do ciclo menstrual afetam corpo, pele, humor, energia e rotina, e reconhecer essas diferentes fases, é, segundo especialistas, fundamental para ampliar a saúde preventiva e o bem-estar físico e emocional de quem menstrua. Para a ginecologista e sexóloga Andréa Rufino, autora do livro Menopausa, Muito Prazer (Editora Latitude), o tabu em torno da menstruação ainda compromete profundamente a relação das mulheres com o próprio corpo. “É um evento biológico regular, que pode durar de 30 a 45 anos da vida da mulher e sinaliza equilíbrio hormonal e saúde”, explica. O problema, segundo ela, está nas crenças construídas ao longo do tempo. “Associar a menstruação a sujeira, doença ou desequilíbrio emocional alimenta estigmas”, afirma. Nesse contexto, sentimentos como vergonha, nojo e medo acabam afastando as mulheres do autocuidado, da higiene adequada, da iniciação sexual saudável e até da busca por assistência em saúde.