Para muita gente, ir ao dentista já é motivo de pavor. O barulho da broca e a luz forte sobre o rosto podem transformar uma consulta de rotina em uma experiência nada agradável. Para pessoas autistas, no entanto, esse desafio pode ser ainda maior. Os estímulos sensoriais, o contato físico, a quebra da rotina e a dificuldade de comunicação podem tornar o atendimento complexo e, em alguns casos, fazer com que uma simples ida ao consultório se transforme em uma situação de enorme estresse para o paciente e familiares. A advogada Fabiana Dias, de 44 anos, mãe de André Luiz, de 13, sabe bem esse roteiro. As primeiras experiências do filho autista com o dentista foram traumáticas. Em uma delas, André precisou ser colocado em uma contenção semelhante a um lençol. “Aquilo me causou uma sensação enorme de impotência, medo e pânico. A principal dificuldade era lidar com os comportamentos dele sem saber como ajudá-lo ou tornar aquele momento menos traumático”, conta. Foi necessário trocar de profissional para que o atendimento fosse mais adaptado às necessidades do rapaz. “Hoje, o barulho do motor e a sensibilidade ainda são fatores de desconforto, mas a preparação do profissional fez diferença”, explica.