No palco, apenas um tapete de couro circular, um tacho de cobre, Hélio Fróes e suas memórias ficcionadas sobre o seu pai. Entre julho e outubro, o ator e diretor da consagrada Cia. de Teatro Nu Escuro circula por dez cidades goianas com Cobre do Meu Pai. O trabalho, que teve a sua estreia em 2024, é um monólogo que envolve uma jornada pessoal e profunda e mergulha nas memórias do ator e dramaturgo. A direção é de Fernanda Pimenta. As primeiras apresentações acontecem em Alto Paraíso, nos dias 16 e 17 de julho, às 19 horas, na Casa de Artes Agami. Em seguida, o trabalho segue para Cavalcante, com apresentações nos dias 18 e 19 de julho, às 19 horas, no Instituto Casa Candeia. O projeto tem o apoio da Lei Goyazes. A entrada é gratuita e não é necessária a retirada de ingressos. Em agosto, o trabalho chega em Aparecida de Goiânia, Senador Canedo e Hidrolândia. Catalão e Campo Alegre recebem o trabalho em setembro e, por fim, chega no mês de outubro em Luziânia. Hélio Fróes compartilha que a circulação tem como objetivo central a democratização do acesso às artes cênicas, levando a produção a localidades historicamente afastadas dos grandes circuitos culturais do estado. “A nossa proposta é justamente romper com a concentração da produção artística em polos já consolidados, como Anápolis, Cidade de Goiás e Pirenópolis, municípios reconhecidos pela efervescência cultural e pela presença constante de eventos, festivais e produções teatrais”, explica o ator e diretor.O monólogo parte de uma história real que conduz a uma ficção e fabulação de memórias de Hélio sobre o seu pai. “São questões pessoais, mas que também têm uma dimensão universal, na medida em que o trabalho aborda temas com os quais o público também poderá se identificar”, conta o dramaturgo. No cerne dessa narrativa, se encontra uma relação infantil entre Hélio e seu pai, um homem que, aos olhos de uma criança, era um verdadeiro herói. No entanto, à medida que a história se desenrola, é revelado um passado repleto de sombras e atitudes que questionam essa figura paterna.O trabalho nasce depois de 12 anos fora dos palcos. Neste tempo, Hélio Fróes viveu desafios na vida pessoal e novas propostas na vida profissional. O seu pai morreu de câncer e, um ano depois, ele também enfrentou a mesma doença. Ao longo deste tempo, o ator dedicou-se à docência, como professor da Escola do Futuro (EFG) em Artes Basileu França, e à produção audiovisual. Dirigiu trabalhos como Festa Entre Parentes, Vila Mariote e versão audiovisual de Gato Negro. Sem trilha sonora, o trabalho tem a produção de Geovani Santos, direção de arte, figurino e cenário de Rô Cerqueira. A proposta da montagem é de um teatro documentário. “Esta é uma escolha que oferece uma narrativa sólida e baseada na realidade”, comenta o ator.A diretora Fernanda Pimenta optou pelo método Viewpoints (VP), uma abordagem teatral que se concentra na exploração do tempo, movimento, espaço e relações no palco. “Ao usar as memórias como ponto de partida, os exercícios baseados no sistema VPs foram adaptados para criar cenas que transmitem as histórias e as emoções contidas nos relatos. Isso permite uma exploração física e emocional mais profunda dos eventos e das relações que moldaram a vida do protagonista”, explica a diretora Pimenta. No palco, o único adereço no cenário é um grande tacho de cobre de cem litros em cima de um tapete circular de couro. “Esta peça tem um grande peso no texto. A intenção em adotar essa perspectiva minimalista é amplificar a narrativa da peça e envolver o público. São dois elementos circulares que ecoam o tema central da narrativa. A simplicidade e a simetria desses elementos reforçam a ideia de que o passado está sempre presente”, explica Fróes. Ele acrescenta que o cobre, material do tacho, tem um significado duplo para o nome da peça: enquanto substantivo e verbo.O tacho de cobre é um símbolo importante na peça, representando a herança familiar e os segredos ocultos. Sua venda torna-se uma espécie de rito de passagem para o protagonista, pois o força a enfrentar o passado e a se afastar de sua zona de conforto. O tom misto de humor e poesia é uma escolha artística intrigante. “Isso permite que a peça equilibre o peso do drama com momentos leves e reflexivos. O humor pode ser usado para aliviar a tensão e criar conexões emocionais com o público, enquanto a poesia adiciona profundidade e beleza à narrativa”, antecipa Fróes.