O primeiro sinal apareceu no rodízio. Durante 30 anos, ele foi a principal atração do Restaurante Árabe, mas começou a perder espaço para pratos menores, refeições compartilhadas e escolhas mais moderadas. Proprietário da casa, Marcelo Abrão calcula uma queda de cerca de 30% no movimento do rodízio. As bebidas alcoólicas também perderam força, assim como as sobremesas. “Na mesa, a mudança é visível: clientes que antes consumiam uma sequência completa de pratos agora preferem dividir um executivo ou optar por refeições mais leves”, explica. A transformação acompanha a popularização de medicamentos como Ozempic, Mounjaro e Wegovy, que reduzem o apetite e alteram a relação de milhares de pessoas com a comida. O assunto deixou os consultórios médicos e passou a frequentar outro ambiente: as conversas entre donos de bares e restaurantes. Em Goiânia, empresários relatam um consumidor que continua saindo para comer, mas passou a valorizar mais a qualidade do que a quantidade. O resultado já aparece em cardápios reformulados, novos formatos de serviço e mudanças na composição das vendas.