A casa onde o escritor Bernardo Élis viveu seus últimos anos, localizada na Rua C-237, no Jardim América, passa por um processo de restauro. O imóvel, que hoje abriga a sede do Instituto Cultural e Educacional Bernardo Élis Para os Povos do Cerrado (Icebe), guarda um capítulo importante da história literária de Goiás e do Brasil. As obras são executadas pela Elysium Sociedade Cultural e viabilizadas com recursos da Lei Goyazes 2025. O trabalho começou em dezembro de 2025 e tem previsão de conclusão em maio de 2026.Segundo Nilson Gomes Jaime, sócio-fundador e presidente do instituto, a Casa-Museu Bernardo Élis apresentava sérios problemas estruturais e estava em avançado estado de deterioração. “O imóvel encontrava-se em péssimo estado de conservação, com risco de desabamento do telhado, pintura antiga e madeiramento tomado por cupins”, relata. De acordo com ele, a intervenção prevê a restauração completa das partes superior e inferior da residência, com o objetivo de garantir segurança e preservar as características originais do espaço onde o autor desenvolveu parte de sua produção intelectual.O acervo mantido na casa é considerado expressivo e singular. Entre os itens preservados estão o fardão da Academia Brasileira de Letras, cerca de 200 objetos pessoais do escritor, toda a sua obra publicada e uma biblioteca com aproximadamente seis mil volumes. O conjunto inclui ainda uma pinacoteca com 40 pinturas em óleo sobre tela, assinadas por artistas plásticos como DJ Oliveira, frei Nazareno Confaloni, Amaury Menezes, Luiz Jardim e Elder Rocha Lima, entre outros.Com o restauro, a meta é fortalecer a Casa-Museu como um espaço ativo de cultura, educação e produção intelectual, alinhado à missão do instituto de proteger e divulgar o legado de Bernardo Élis. Após a conclusão das obras, o local será aberto à comunidade, oferecendo visitas guiadas gratuitas. O espaço também deverá receber saraus, palestras, atividades de estudo e pesquisa, além de estágios, residências e outras ações culturais.Nascido em Corumbá de Goiás, em 1915, Bernardo Élis Fleury de Campos Curado foi advogado, professor, poeta, contista e romancista. Até hoje, segue como o único goiano a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. A residência foi construída em 1974 para ele e sua esposa, a escritora e artista plástica Maria Carmelita Fleury Curado, e permaneceu como lar do casal até 1997, ano da morte do autor. Maria Carmelita seguiu morando no local até 2020, quando também faleceu. No mesmo ano, foi fundado o Icebe.