Já estava tudo pronto quando o terceiro ato do filme Michael precisou ser totalmente descartado. A produção refez a parte final após a descoberta de um acordo firmado pelo espólio de Michael Jackson que impede a representação de Jordan Chandler, responsável por uma das acusações de abuso sexual contra o artista nos anos 1990. A versão original do roteiro girava em torno dessas denúncias, mas teve de ser reformulada para excluir esse núcleo da narrativa. A mudança é apenas uma das controvérsias de um projeto que se consolida como um dos lançamentos mais aguardados do cinema recente. As refilmagens duraram 22 dias, custaram entre US$ 10 e 15 milhões e foram financiadas pelo próprio espólio, que ampliou sua participação na produção. Com isso, o filme desloca o foco do conflito público para o drama familiar, especialmente na relação com o pai, Joe Jackson, figura central na construção e na pressão da carreira do artista que revolucionou o modo de pensar e consumir a música pop nos anos 1980.