Este ano, o especial Falas Negras traz um experimento social que apresenta o julgamento fictício de Wesley Cosme da Silva (Diego Francisco), um jovem negro acusado por homicídio. Suspeito pela morte de um adolescente, Wesley foi reconhecido por uma fotografia presente no “catálogo de suspeitos”, apresentado à mãe da vítima na delegacia. No tribunal reproduzido pelo programa, todos são atores, exceto os jurados, cidadãos comuns que têm a missão definir se o réu é inocente ou culpado. À frente da condução do especial, o apresentador, roteirista e diretor Clayton Nascimento participou de grande parte do processo de construção do episódio, da concepção à direção ao lado de Antonia Prado. “A história do Wesley é uma criação artística completamente baseada em fatos da vida real e mostra para a nossa nação como pessoas jovens e trabalhadoras são levadas à prisão como criminosas, sem direito a uma defesa de qualidade. Também evidencia como as suas vidas são profundamente impactadas pelos reconhecimentos fotográficos realizados nas delegacias pela sociedade civil, ou seja, nós mesmos. Perceberemos como o catálogo de suspeitos não é caso isolado, e para existir, movimenta uma grande parcela da sociedade”, adianta Clayton. Na entrevista a seguir, Clayton Nascimento observa a relevância do tema abordado no programa e conta detalhes da experiência de criar e apresentar essa obra que mistura dramaturgia e experimento social.