Há lugares que nunca deixam de existir. As ocupações do Jardim Goiás são um deles. Espremidas no bairro que se tornaria um dos mais nobres de Goiânia, a região guarda uma história que parece pertencer a outro tempo: havia lama, enchentes, casas improvisadas e famílias tentando garantir o direito básico de ter um pedaço de terra para chamar de lar. É nesse cenário de transformações que começou a história do artista visual Marcelo Ramalho, de 27 anos, criado na Rua 12 do Jardim Goiás, às margens da Marginal Botafogo. Ele foi um dos 30 artistas selecionados para o 2º Salão Nacional de Arte Contemporânea de Goiás, que recebeu 1.328 inscrições de todo o Brasil. A presença na mostra é um reconhecimento e também uma espécie de encontro entre o lugar de onde veio e o espaço que sua arte começa a ocupar. A casa onde Marcelo passou a infância nasceu de remendos. Sua mãe comprou o lote em 1994 por R$ 1 mil, quando a região já era marcada pela ocupação, característica que ainda permanece, e aproveitou os restos de uma construção antiga de adobe para erguer, com o marido, o lar da família.