A missão da curadoria do 2º Salão de Arte em Pequenos Formatos do Museu de Arte de Britânia (Mabri), a 315 quilômetros de Goiânia, não foi nada fácil na edição 2020. O concurso recebeu 1.991 inscritos de quase todo o Brasil. Foram escolhidas 25 obras na primeira etapa e os cinco vencedores são conhecidos hoje, divulgados com exclusividade pelo POPULAR. São eles: Diogo Duda (PR), Iris Helena (DF), Efe Godoy (MG), João da Mota, o Mulambö (RJ) e a goiana Ana Flávia Marú, que vão receber cada um o prêmio de R$ 6 mil. Já Renata Miranda (PE), Ismael Monticelli (RS) e o goiano Guará vão receber cada um R$ 500 de menção honrosa.Além dos cinco selecionados e dos premiados com menção honrosa, os 25 escolhidos na primeira etapa receberam R$ 1 mil cada. O Salão de Britânia, que conta com patrocínio do Fundo de Arte e Cultura de 2018, distribuiu R$ 55 mil em premiações e precisou repensar o formato por conta da pandemia provocada pelo novo coronavírus. Antes planejado para uma exposição presencial e com uma série de atividades de cursos de formação, assim como foi na edição 2019, dessa vez a programação será toda on-line, com lives e exposição virtual das obras selecionadas, no dia 20 de setembro. A quantidade de inscrições da 2ª edição do concurso surpreendeu os organizadores e os jurados. O aumento foi de 700% em relação ao ano passado, que contou com 250 inscritos. Dos 26 Estados e do Distrito Federal, apenas concorrentes do Amapá ficaram de fora da nova edição do Salão de Britânia. São Paulo, com 668, e o Rio de Janeiro, com 311, foram os Estados com o maior número de participantes. Já Goiás mandou 125 obras. A comissão julgadora acredita que o aumento recorde é reflexo do isolamento social por conta da pandemia e também pela atenção dada para salões fora do eixo Rio-São Paulo.O cargo geral de curadoria ficou com a venezuelana Morella Jurado, responsável pelo pavilhão da Venezuela na 57ª Bienal de Veneza (Itália) e que já participou de mostra coletiva em Goiânia, em 2014. Na primeira etapa de seleção do salão, ela teve a companhia de um comitê formado pela cubana Dayalis Gonzáles, pelo artista e produtor cultural Rafael Abdala e pelo premiado curador do Museu de Arte Contemporânea de Niterói (RJ), Raphael Fonseca. O quarteto escolheu 25 obras numa lista de quase 2 mil inscritos. “Foi desafiador refletir sobre um número tão grande e tão diverso”, ressalta Morella.Para escolher os cinco melhores, se juntaram a Morella Jurado o artista e membro do comitê de indicação do Prêmio Pipa 2020, Wagner Barja, o coordenador das comissões Gilson Andrade e a coordenadora geral e idealizadora do Salão de Britânia, a produtora cultural Malu da Cunha. Devido às novas configurações provocadas pela pandemia, o processo de seleção de todo o salão foi feito pela internet. A decisão foi tomada durante uma reunião de quase duas horas. “A comissão se manteve atenta principalmente em olhar para a relevância e a diversidade de linguagens”, ressalta Gilson.VencedoresNatural de Itumbiara, Ana Flávia Marú formou-se em 2016 em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Goiás e durante o curso desenvolveu sua pesquisa pictórica a partir da observação cotidiana do uso/desuso e da utilidade/inutilidade das coisas, da cidade e das palavras. Ela conquistou os jurados com duas obras na técnica aquarela e nanquim sobre papel com o título Arquitetura não Faz Outra Coisa, Senão Criar Fantasmas e com a série Inventário de Tamboretes, ambas produzidas em aquarela e nanquim sobre algodão cru em bastidor de madeira de 20 cm.Na jovem carreira, Marú participou em 2018 da residência artística de novos artistas goianos Trampolim, a qual resultou na exposição coletiva Um Corpo no Ar Pronto para Fazer Barulho, no Museu de Arte Contemporâneo de Goiás. A artista também foi selecionada em 2019 para a 12ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo com o trabalho em vídeo Vagalume. No mesmo ano, fez parte da mostra No Interior da Imagem, uma exposição coletiva que integra o circuito de atividades comemorativas dos 20 anos da Galeria Frei Confaloni, que funciona no Centro Cultural Octo Marques.Outro destaque da lista de vencedores é o carioca Mulambo, que agradou a comissão com a obra O Primeiro Pedaço É da Minha Vó, em acrílica sobre prato de vidro. Na carreira, ele faz um passeio pelo cotidiano das periferias brasileiras, registrando pobreza, fome, sofrimento, violência e superação. Já Iris Helena, natural de João Pessoa (PB) e que mora atualmente em Brasília, foi selecionada no salão com um conjunto de desenhos sobre cartelas de remédios, e com a série Imaginário Cartográfico de uma Cidade Brasileira, produzida em impressão a jato de tinta P&B sobre casca de parede.Mais um nome selecionado do salão goiano foi a artista transgênero mineira Efe Godoy, que trabalha em plataforma multimídia e realiza experimentações nas áreas de performance, instalação, pintura e desenho. Suas pesquisas buscam a identidade do corpo, dos animais, da natureza e da memória em uma linguagem poética. Completam os melhores o curitibano Diogo Duda, que fez uma pequena escultura com duas partes acopláveis: sua base, em cerâmica vitrificada, suporta um cerne composto por moedas de Real, no valor de R$ 45,58. A peça faz uma crítica às discrepâncias das moedas no contexto global. -Imagem (Image_1.2101410)-Imagem (Image_1.2101412)-Imagem (Image_1.2101413)