Duas guerras mundiais, a chegada do homem à Lua e o nascimento da internet. Com 127 anos tocando ininterruptamente, a Corporação Musical 13 de Maio não é só a mais longeva banda de Goiás como também testemunha da própria história mundial. Até os anos 1970, quase toda cidade goiana tinha uma banda que fazia do coreto seu palco principal. As poucas que sobreviveram, a partir dos anos 1980, focaram na renovação de seus músicos e repertório como fórmula para se manter relevante.“A banda sempre foi formada por jovens. Acho que o segredo da resistência foi ter realizado uma mistura de gerações. Os mais velhos ensinando os mais jovens. Tocar na banda virou uma tradição que passa de avô para neto. Há casos de quatro gerações tocando juntas”, conta o músico e historiador Ramir Curado, de 57 anos. Para ele o documentário e o site devem fazer com que o trabalho da 13 de Maio seja ainda mais reconhecido dentro e fora da cidade de cerca de 10 mil habitantes.Na banda, formada majoritariamente por jovens de ambos os sexos, todos os músicos fazem trabalho voluntário, à exceção do maestro. O repertório mescla acordes tradicionais, que vão do dobrado à marcha, a sucessos atuais da MPB e música pop. A Corporação Musical 13 de Maio surgiu em 1890 financiada pelo Partido Liberal em contraposição à banda União Corumbaense que depois mudou o nome para 14 de julho, ligada ao Partido Conservador. Por 17 anos, as duas competiram pela preferência do público até que a 13 de Maio, já descolada da política, passou a brilhar sozinha no coreto da cidade fundada em 1730.