Nesse domingo de Ramos, caminhando do hotel em direção à Igreja dos Agostinianos, em Viena, um vento com chuva fria me empurrava para a Missa, num cenário que mais se parece ao inverno do que à primavera anunciada. Senti que o rosto de Deus é mais do que raios de sol ou gotas de chuva, do que estações que se alternam, mais do que pigmentos numa tela. Esse rosto pode ser visto na celebração, nos rituais e na música, é a própria tela. Na igreja, me sinto mais próximo da alma do mundo e sou tomado por uma epifania, donde surge um sentido maior que aponta para uma ordem transcendente, para o Sagrado. O pensamento sobre a dor e o degredo espiritual, que a guerra e o nazismo impuseram às pessoas que aqui viveram, dá lugar ao olhar e ao sentido da dor do sacrifício de Cristo que na Missa se celebrava.