São tempos perigosos, em que nem há mais avisos porque pressupõe-se vigilância constante. Começou com alertas do tipo “sorria, você está sendo filmado”, mas foi se amplificando para uma invasão extrema e constante. Agora, a gente nunca sabe se o que vive distraído pode estar sendo registrado e, pior, vai ser divulgado para centenas, milhares, milhões até, à revelia de qualquer autorização. E nem tudo que fazemos gostaríamos de mostrar ou sequer lembrar. Nesse mundo de quase nenhuma privacidade, a canção Paranoia, de Raul Seixas, se tornou reminiscência de uma época regida pelo imaginário. “Tinha tanto medo de sair da cama à noite pro banheiro/ Medo de saber que não estava ali sozinho porque sempre/ Sempre, sempre/ Eu estava com Deus!/ Eu estava com Deus!/ Eu estava com Deus!/ Eu tava sempre com Deus!”