Antes de começar a escrever, questionei a ordem do título, talvez fosse menos sonoro, porém melhor, inverter, liberdade e amor. Afinal, pensei, só pode amar quem é livre, obrigação é antídoto para a entrega amorosa, que só existe se espontânea, inexplicável, impossível de nominar. Só que não experimentamos liberdade ao nascer nem ao dar os primeiros passos, o que nos constitui e sustenta são as conexões com o outro em que demandamos amor. Amor, então, é referência primordial, ou a falta dele com os danos afetivos e emocionais decorrentes, que vão ter consequências nos encontros e desencontros ao longo da vida. Liberdade no amor não corresponde à realidade, porque se escolha existe, e, portanto, o direito subjetivo de decidir sobre laços de maior intimidade, intensidade, ela não passa por cálculos conscientes e muito menos racionais. Amo porque amo. Ou seja, amo sem saber dizer por quê.