O convite chegou pelo celular. A sobrinha Ana Cristina contou-me que viajaria com a filha Gabriela e a neta Clara. E que sua mãe Laíla queria ir. Idosa, Laíla precisaria de companhia. Respondi que não tinha planos de viajar, mas que iria pensar. Entendi que seria uma alegria ir à praia com a irmã quando me preocupo com o envelhecimento dos familiares.Confirmei que iria, compramos as passagens e reservamos a pousada. Elas ficaram muito felizes. Eu, confesso, fiquei ansiosa. Talvez porque somente o planejamento me deixa segura. Resolvi deixar os dias passarem e ocupar a mente com outros assuntos.Fiz minha mala com pouca roupa e peças leves, afinal, eu teria de carregar. Não levei expectativas, tenho vivido assim. Éramos cinco mulheres sorridentes, em faixas etárias diversas. No avião, não consegui colocar minha mala e de Laíla no compartimento. Lição: voltar para a musculação. Em São Paulo, despachamos as bagagens e isso nos aliviou. Observei o grande vai e vem no aeroporto, com olhos atentos à irmã, era minha função. Desde o início ela sinalizou que estava muito bem e que eu pouco “trabalharia”. Sobrava tempo para conversar com Ana Cristina e Gabriela e para curtir as gracinhas da estreante Clara.O aeroporto de Ilhéus continua o mesmo, com uma pista ínfima. O carro de aplicativo chegou, porém não comportava todas nós e as bagagens. Aceitamos oferta de um rapaz que discretamente nos abordou. Desconfiadas, seguimos com ele no curto trajeto. A cidade está bem diferente, cresceu bastante. A pousada não era exatamente pé na areia, embora fosse beira-mar. Entendemos a justificativa de que o mar recuou após intervenções humanas. Hoje está em uma movimentada avenida e tem uma linda vista. A decepção durou pouco. A pousada, bem localizada, é um charme. Oferece bons serviços e um restaurante excelente. Além do café da manhã na medida, degustamos desde a caprichada sopa noturna da Laíla até pratos elaborados e saborosos por preços justos. Entre sol e chuva, intercalamos passeios por pontos históricos e banhos de mar. Gabriel, que nos transportou do aeroporto, se tornou nosso condutor nos passeios. Muito mais que motorista, foi fotógrafo e guia bem informado e paciente, cuidando de todas, especialmente da idosa e da bebê. Quem me conhece sabe da minha paixão por uma praia e da minha necessidade de ver o mar, ao menos uma vez ao ano. Aquela já era a segunda neste ano. Tivemos momentos deliciosos na areia branquinha e no mar cuja água ainda carregava o frio do inverno. O passeio pelo Centro nos trouxe riqueza de informações e vimos toda a beleza dos prédios históricos. A visita a uma fazenda de cacau eu teria deixado passar. Gabriel foi firme na sugestão e lá fomos nós. Fiquei encantada. Aprendi sobre a produção do cacau, vi árvores carregadas de frutos e comprei chocolates. Deslumbrante foi a ida até Itacaré, cidade que eu tanto queria conhecer. Vimos paisagens de tirar o fôlego e comemos delícias. Descemos nos pontos turísticos e paradisíacos. E nos instalamos numa praia linda, com restaurante bem equipado e música ao vivo de boa qualidade. Curtimos cada minuto. Não havia tempo ruim. Com a irmã, aprendi a envelhecer bem. Dividi sentimentos com a sobrinha. Vi a jovem experimentando a maternidade. Com a graciosidade da bebê, que pela primeira vez colocou os pezinhos na areia, alimentei minha paixão por criança. Nós, as cinco mulheres, realizamos sonhos, abrimos as mentes, ampliamos os conhecimentos, vencemos medos e doenças, experimentamos aventuras, trocamos experiências, rimos juntas, servimos e fomos servidas. Voltamos mais ricas porque viajar é sempre ganhar.