A algazarra de periquitos na paineira, espalhando paina pelo ar e cobrindo o chão com um tapete branco, inverno no Cerrado, era a própria imagem da alegria na manhã azul e brilhante. Ânimo revigorado com tanta celebração da vida, bicho solto é bom de ver. Pássaros são um espetáculo, araras colorindo o céu, beija-flor trocando delicadezas com aquelas que lhe conferem o nome. No Cerrado, já vi de perto bicho que preferia não ter visto, porque sinto medo absurdo, paralisante. Cobra, por exemplo, é um misto de pavor e fascínio, o olhar retido no ser deslizante, enquanto o instinto impõe sair logo de perto para garantir a sobrevivência. Na pandemia, corria sozinha e ia longe na beira da rodovia então deserta, onde, certa vez, a poucos metros, dois quatis atravessaram na minha frente, por muito pouco não esbarrei neles, o que poderia ter resultado em susto fatal para todos nós, suponho.