No dia 24 de agosto, a Argentina comemora o Dia do Leitor, data escolhida em homenagem ao nascimento de Jorge Luís Borges. Poucas homenagens fazem tanto sentido: dificilmente haverá um escritor cuja vida se confunda tanto com o próprio ato de ler. A biblioteca, para Borges, começou em casa. Seu pai possuía um vasto acervo e autorizava o filho a escolher livremente o que quisesse ler e a abandonar qualquer livro que o entediasse. Depois viria a cegueira, herdada do pai e que se tornou completa por volta dos 55 anos. Vivendo na “umbrosa noite do silêncio” de sua cegueira, Borges não decai para a escuridão, pois a névoa o recobre para que “o sol interior” ilumine o leitor. Guardo do escritor uma lembrança do que li em A Flor de Coleridge, onde defende que copiar os autores admirados, até que o estilo deles se imprima em nós, pode ser caminho legítimo até descobrirmos o nosso próprio.