Eu não me excitava quando me pediam para tirar a roupa. Eu tinha medo. Hoje, no vestiário dos homens, na clínica de exames, antes de entrar para a sala de ressonância, me pediram para tirar a roupa e me lembrei de como já foi mais difícil me despir. Me entregaram meu avental embalado num plástico, me apontaram o banheiro: “Você pode se trocar ali”, a enfermeira me disse, “com a parte aberta para a frente.” Achei engraçado, antigamente era para trás. Fui ao banheiro, mas deixei a porta aberta, afinal, não tinha ninguém naquela sala só para homens. Tirei minha roupa, coloquei o avental, tentei fechar como ela me explicou, com as faixas amarradas na frente, não consegui. De todo jeito, sobrava uma parte do corpo exposta. Desisti de tentar esconder tudo. As pernas mais à mostra, um pedaço lateral da cueca de fora. Quando me movimentava um pouco, o abdôme e o peito apareciam. Me sentei na sala para esperar que me chamassem e, sentado, eu era um corpo à mostra.