Minha mãe prefere IPA. Eu não sabia. Descobri num fim de tarde com dobradinha de chope em que fomos felizes e tristes. Porque a gente nunca é uma coisa só. Brindamos à saúde com gosto amargo na boca. Procurei algum problema nisso e não achei. Foi na segunda rodada que mamãe ficou mais solta e me trouxe coisas interessantes que nunca havia comentado. A partir de relatos cotidianos de uma idosa hiperativa e de uma pessoa não binária introspectiva maior de 50, chegamos à conclusão de que umas das razões pelas quais vale a pena viver é a gente compreender como reagir ao legado das gerações posteriores à nossa. Fiz uma defesa da contenção do desejo de insistir na cultura que a gente viveu intensamente enquanto aquela que precisa ser preservada e priorizada. Como nasceu em 1945, mamãe está na porta da geração Boomer (ou Baby boomer), mas oficialmente se posiciona na geração chamada Silenciosa. Ninguém mais fala sobre essa fração de população ainda viva e votante.