Como o humor é perfeito para explicitar o que parece não ter explicação. Rir do absurdo é uma forma saudável de lidar com o que, por outras vias, a gente tende a tentar evitar qualquer contato. Ambiguidades e recalques, por exemplo, são desafiadores demais, porque neles o desejo faz morada. Deus me livre, mas quem me dera... Falávamos sobre o quanto é necessário nos permitir, priorizar o cuidado consigo, o prazer em praticar o que nos faz bem, mesmo quando requer esforço e disciplina, como atividades físicas. A jovem professora comentou, após admitir ser compulsiva nas compras, que justifica excessos acusados no orçamento pessoal e nos armários abarrotados de objetos muitas vezes nunca usados, convencendo a si mesma: eu mereço. Demos risadas, mas observei que prioridade à saúde e ao bem-estar próprios não tem nada a ver com compulsão, ao contrário. Foi quando a bela morena tentou me fazer entender que a questão era mesmo de outra dimensão, lançando no ar a frase genial: Deus me livre, mas quem me dera. De novo, rimos um bocado, mas dá o que pensar.