O supermercado estava cheio. Perto da padaria, clientes se aglomeravam quando um funcionário surgiu com uma bandeja de biscoitos de queijo recém-saídos do forno, erguida acima da cabeça para evitar esbarrões. A tarefa não era simples. O rapaz parecia invisível: as pessoas insistiam em atravessar seu caminho, ignorando o peso e o calor que carregava — um descuido bastaria para provocar um acidente. Entre elas, um senhor falava e gesticulava efusivamente, bloqueando a passagem. Diante da dificuldade do funcionário, pedi que ele se afastasse. “Por favor, né?”, respondeu, ríspido. Sem entender, perguntei o motivo. “Você esqueceu de pedir ‘por favor’. Não sou seu empregado.” Expliquei, com calma, que a urgência era evitar que o rapaz se queimasse ou derrubasse a bandeja. “Mas tem de pedir ‘por favor’. Esse é o ponto”, insistiu. Repeti que o essencial era liberar a passagem. Irritada, uma mulher ao lado dele interveio: “Você sabe com quem está falando? Ele é um médico renomado! Mais respeito com o meu irmão!”