“Agóooora é tudo quatro-e-noventa”, grita o homem dos legumes. “Aqui tem promoção e pra mocinha”, retruca o cara da banca de frutas, ecoando um urro dos tempos das cavernas, velho e anacrônico, mas tão presente. A feira livre é uma alquimia de cheiros, aquarela de cores, variedade de sabores e sinfonia de sons. As barracas e os gritos se misturam e atravessam milênios em todos os cantos do planeta, mostrando que, por mais que sejamos diferentes, há algo que atravessa todos os povos e culturas: o trocar, vender e trocar nas ruas, das vilas às grandes metrópoles. Elas existem desde sempre. Nos tempos de Cristo, Ele chegou a se irritar com uma delas, que cercava o templo. Há registros de feiras que funcionam há mil anos no Marrocos, 2 mil anos na China. No Brasil, a Ver-o-Peso, em Belém, beira os 400 anos.