Quando nos preparávamos para seguir para o aeroporto, após uma semana de férias na praia, minha irmã comentou que passou rápido, mas tinha a impressão de que vivemos um tempo muito mais longo, pela intensidade das experiências naqueles dias. Quando viajamos, aguçamos percepções e sentidos, nos encantamos e surpreendemos com o trivial, ouvimos com atenção as histórias nos breves encontros pelos novos caminhos. Na rotina, costumamos agir no automático, conferindo horários para garantir funcionalidade a cada instante. Muitas vezes, nem notamos que cada momento é vida, tem sabor, porque sempre temos mais o que fazer do que apenas... viver. É um absurdo, dito assim, porque por óbvio tudo que temos de melhor na vida é ela própria, e ao negar essa realidade estamos de alguma forma antecipando a morte, justo o que procuramos evitar. Não me canso de repetir: bicho mais esquisito que gente não há.