Lembro vividamente de um sábado da Copa de 2006, que só não ganhamos porque, na peleia das quartas, alguém ajeitava o meião enquanto o Thierry Henry passeava em nossa área desprovido de preocupações, como quem passeia pelo Quartier Latin. Às 9h30min, o interfone tocou. Equilibrando o carvão, quilos de alcatra marinados em tempero de festa de igreja e dúzias de cerveja, meus amigos irromperam o pátio. De pé sobre o sofá, onde pregava um lençol para espantar reflexos da televisão, via pela primeira vez aqueles rostos sob a luz da manhã. A Copa do Mundo conseguira a proeza de antecipar a alvorada de jornalistas com hábitos noturnos. Ficamos oito horas diante da televisão, de onde só saímos para ir até a geladeira pegar mais uma latinha, com escalas cada vez mais frequentes no banheiro. Foi um dia de excessos, mas divertido. Tenho o maior carinho por todos com quem passei aquele dia e outros tantos anos memoráveis.