Odilon é um cara encrencado, e isso não deveria me importar, visto que não tenho ideia de quem ele seja. Só que as coisas mudaram quando nossas vidas se cruzaram, em uma dessas armadilhas do destino. Não sei o que Odilon aprontou, se é briga ou dívida, se é coisa de aposta ou rolo com mulher, mas imagino que seja grave. É o que deduzi depois de receber 33 ligações em um intervalo de três dias. É gente que quer muito falar com ele. Como faço costumeiramente, não atendi às chamadas com número não identificado na tela do meu celular. Mas elas se repetiram incansavelmente, o que me deixou preocupado, e acabei cedendo. — Alô — disse a voz metálica do outro lado, seguida de um chiado. — Oi — respondi. — Estou falando com o senhor Odilon? —, dessa vez a voz era humana. — Não, não está. — Com quem estou falando? — perguntou a moça.