Chegou aquele período em que o engravatado come pastel de feira, pega menino catarrento no colo, abraça e faz um afago nos cabelos brancos da velhinha, distribui tchauzinhos para o vácuo e aperta a mão de gente que, em dias normais, nem chegaria perto. É, claro, tempo de caça aos votos. É quando a gente vê o sujeito acostumado à pinot noir encarar uma dose de caninha; o gourmet do menu degustação encarar um bifão de coxão duro com arroz e feijão servidos em prato de esmalte; a madame de Louis Vuitton abraçar a doméstica com bolsa de camelô no terminal de ônibus. Afinal, eles querem mostrar que são gente como a gente e que, chegando lá, vão lutar pela educação dos nossos filhos, pela saúde de nossos avós, pelo transporte de nossos trabalhadores e pela segurança nas vilas mais distantes. Diante de tantos pretendentes bem-intencionados e qualificados, fica difícil escolher os melhores. Então, decidi adotar um critério: meu voto vai para aquele cuja atuação fora da política se alinha mais com o que acho que o País, o Estado e a cidade realmente precisam.