Estou em um curto período de férias. Eram apenas nove dias, mas, esticando aqui e acolá e aproveitando um providencial feriado no meio, consegui espichar um tantinho a mais – uma conta que todo CLT aprende ao longo dos anos (colocar isso no texto do jornal que paga meu salário é um bocado imprudente, mas, de vez em quando, sou assaltado pela falta de juízo). A ideia era curtir um período de nadismo, colocar a leitura e o sono em dia, ter algum contato com a natureza, iniciar um ciclo de treinamento para uma corrida de 15 quilômetros e, acima de tudo, ficar longe do noticiário e do WhatsApp. Contudo, instigado pelo celular (o tentador contemporâneo, que oferece pão, poder e riquezas, desde que você se ajoelhe a ele), minhas resoluções de ano-novo ruíram em menos de uma semana. Nessa época do ano, aparentemente todo mundo está fazendo algo muito legal: rodando por estradas tranquilas e perfeitas, tomando água de coco diante da imensidão do mar, esquiando em algum país nórdico, bebericando um chope gelado em um barzinho descolado, namorando, revendo amigos, churrasqueando.