Assim que me contou sobre o fim do seu namoro, o primeiro da vida, terminado após descobrir que ele flertava em aplicativos de paquera, eu quis contar a minha irmã minha história. Talvez para dizer: “Veja, somos iguais, vai dar tudo certo, não fique triste”. Eu tinha 14 anos, irmã, a metade da sua idade agora. Meu primeiro beijo na boca foi também meu primeiro namoro e minha primeira traição sofrida. Eu era novo demais para tantos acontecimentos. Você, no seu namoro, já tinha feito muita coisa séria. Eu só tinha brincado. A minha namorada já tinha beijado outros homens, como você fez antes do namoro, e tinha feito amor também. Era três ou quatro anos mais velha do que eu, e lembro que essa diferença me deixava ainda mais apaixonado. Quando encostamos nossas bocas pela primeira vez, no percurso de volta da escola, foi vergonhoso. Eu não sabia beijar. Mas foi uma delícia estrear naquela brincadeira. Eu, sem saber o que fazer com a língua, enquanto ela passeava pela minha boca como... como ela passeando por outras bocas. Nos beijamos de novo porque eu pedi. E deve ter sido horroroso para a Lívia.