Escrevo esta crônica ainda sob os efeitos do jet lag, com João Guimarães Rosa no pensamento: “O senhor sabe: a gente quer passar um rio a nado, e passa; mas vai dar na outra banda é num ponto mais embaixo, bem diverso do que em primeiro se pensou (…) o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia…” Nossas viagens são precedidas de um longo planejamento, então começamos a travessia muito antes do embarque. Isso significa muitas leituras dos escritores da região a ser visitada. Assim, vou acumulando lembranças ao longo dos anos e de tantas travessias em inúmeros recantos do Brasil e fora dele. Quando finalmente partimos, levamos na bagagem (e trazemos de volta talvez até mais) novas histórias, nossas e de outros que vão nos encantando ao longo do percurso.