No meio do caminho tinha uma mangueira, tinha uma mangueira no meio do caminho, tinha uma mangueira, no meio do caminho tinha uma mangueira. Era frondosa, dava mangas carnudas, saborosas, e atraía muitos pássaros. Depois, no meio do caminho tinham entulhos e tijolos da construção de mais um edifício, hoje já erguido, disputando lugar com tantos outros que brotaram onde antes existiam casas, quintais e árvores. No meio do caminho, tinha também um abacateiro, de frutos gigantescos, sombra boa aliviando o calor. Sim, tinha um abacateiro no meio do caminho. Os sinais sinistros da execução foram os primeiros galhos, ainda com os abacates de ciclo interrompido, espalhados pela calçada e até na rua. Não é possível tamanha crueldade, pensei, imaginando um jeito de interromper o processo de aniquilação iniciado. Nem deu tempo, foi rápido e eficaz o serviço de remoção.