Seja feliz agora. Estava escrito no adesivo holográfico do display que oferecia alfajores feitos com leite de coco ao lado da balança do restaurante self service. A mulher quase cedeu ao chamado, chegou a examinar o rótulo de letras muito miúdas. Vendo o interesse da cliente, a jovenzinha no atendimento disse que mal podia esperar a hora do almoço para comer um daqueles. Confessou que, em alguns dias, atacava a sobremesa primeiro por não saber esperar. A mulher se percebeu mais induzida pela propaganda do que pela vontade e resistiu. Pesou 380 gramas de comida cheirosa e sentou-se próxima do janelão. Colocou na boca uma cápsula de magnésio citrato, antes de mais nada. Enquanto provava o arroz com pequi e banana da terra perdeu-se do lado de fora observando as gavinhas do chuchuzeiro do quintal, que fazia sombra para o descanso de uma das cozinheiras. Ela tinha nas mãos um alfajor, que degustava com vagar. Seus olhos se encontraram e, por pouco, o doce não foi pro chão.