Preciso confessar que andei com o nariz empinado por alguns dias, circulando entre os colegas de firma com ar de superioridade — uma arrogância mal dissimulada, soberba transpirando por cada poro. Os olhares em minha direção misturavam surpresa, admiração, inveja e o indisfarçável desejo de que eu tropeçasse. O orgulho não surgiu de uma promoção, prêmio de jornalismo, texto viralizado ou mesmo de uma placa, exposta com destaque na redação do jornal, com meu nome acima da frase “funcionário do mês”. A empáfia que tomou conta de mim começou em 11 de junho, dia em que Fidalgo, o camisa 8 da seleção mexicana, deu o pontapé de abertura da Copa do Mundo. Naquela mesma data, teve início o bolão do POPULAR. Logo na primeira rodada, surgi entre os primeiros. O páreo ficou apertado até a estreia do Brasil, com pelo menos dois participantes dividindo a cabeça. Mas, em meio ao ufanismo que fatalmente cerca o torcedor brasileiro, fui um dos poucos a apostar no empate com Marrocos — com direito ao placar exato: 1 a 1.