No mês de julho, nós, goianos, sentimos frio. Quando morei em Porto Alegre, meus colegas da universidade riam do que chamávamos frio, ao saber das temperaturas daqui. Hoje, quem me pauta é a memória, ao me recordar que em Anápolis, onde morei da primeira infância à adolescência, sentíamos muito frio em julho. Sem recursos, nos abraçávamos ao cobertor “sapeca-negrinho” quando íamos dormir. No final de junho, mês de provas semestrais, ia tremendo para o colégio, só com o uniforme de mangas curtas, sem qualquer proteção contra o frio. Em vez de caminhar, eu costumava correr. De vez em quando, esfregava as mãos e as passava no braço nu, sob o uniforme. O primeiro trecho era sob uma matinha de eucaliptos, e, de manhã, o vento tornava as coisas mais difíceis. Mas não havia saída: era correr ou correr.