Plac, plac, plac, plac, plac, plac, plac... Tal qual Leatherface no clássico de terror gore dos anos 1970, eu saio fazendo um banho de sangue com os pernilongos em meu apartamento. Eles correm, voam, rastejam, alguns chegam até a pedir clemência, mas, embebido de ódio pelos chupadores de sangue, o serial killer de mosquitos que habita em mim não para. Ter pena já não cabe mais na situação, que começou há um ano, quando a empresa de saneamento da cidade parou de fazer a manutenção da vedação dos bueiros. Um fenômeno imediato entre os mosquitos, que começaram uma rave desenfreada. Com seus voos frenéticos, dignos de uma pista de eletrônico techno, eles passaram a aproveitar como nunca seus pouquíssimos dias de vida. Provavelmente em rituais de acasalamento, pois, pela quantidade avassaladora que surgiu deles, podemos intuir que tem um cunho reprodutivo nesse novo modo de vida. Algo surubístico, dionisíaco, será que eles são safados?