Onde já se viu chegar à casa do outro sem avisar, invadir, consumir e saquear o que encontrar pela frente? Muito mais grave, ferir e matar quem ouse ou tenha o infortúnio de estar no caminho. Injustificável, mas assim tem sido desde a Antiguidade clássica, sob argumentações e pretextos que nem variam muito, garantir segurança, proteção, resguardar o próprio lar, expandir domínios, submeter o diferente às próprias e arraigadas convicções. Do Cavalo de Troia às armas nucleares, satélites, inteligência artificial e drones, a força do ódio segue dominante. Ódio, afeto mais primitivo, básico para a sobrevivência, cujo infindável manancial jorra horrores onde presença humana existir. Assustador, mas inegável, basta conferir os registros desde os primórdios da linguagem. Com tanta gente comentando A Odisseia, superprodução de tirar o fôlego, me atrevo a dar pitaco também. Além das aventuras e apelo a emoções intensas, o filme também remete à obra atribuída a Homero na qual se inspira ao propor questões que nos instigam desde sempre: quem somos, o que buscamos, o que nos move, o destino, as paixões, o tempo, o amor, a morte... o sentido dessa barafunda chamada vida.