O som metálico da guitarra dava uma roupagem moderna à música sertaneja de Evair, mais conhecido como Ronaldo, da dupla Ronan e Ronaldo. Ele era considerado pelo grande público do agronejo como uma estrela disruptiva, um Renato Russo do campo, que conciliava os grandes shows com a tradição rural. Não imaginavam que, por trás daqueles acordes de country, escondia-se um psicopata sedento por sangue. Ronan, seu amigo de longa data e vizinho de fazenda, via que algo estava errado com ele. Sumia por muitos dias, faltava a ensaios e entrevistas, mas o rockstar sertanejo sempre saía pela tangente, sua genialidade o acobertava, taxavam-o de excêntrico e davam por encerrado todo o comportamento evasivo de Ronaldo. Constantemente, durante as turnês pelo interior do país, o astro arrumava um rolê pós show para ir com alguns de seus capatazes, que estavam sempre com ele, por mais que fossem funcionários do rancho e não teriam serventia aparente naquele momento. Ronaldo se unia com um dos poderosos da cidade e partia para a gandaia, sem chamar Ronan para acompanhá-los.