O que a gente faz com a energia de viver, ou morrer, sinaliza nossa sanidade ou loucura? Louco é quem age de um jeito que destoa do padrão? Ou, ao contrário, louco é quem se esforça, obsessivo, para corresponder ao que acredita ser o padrão? Ou nem um nem outro, mas o que acredita estar acima de todos, encarnando um ideal de perfeição? Por essas maravilhas da sorte, veio parar nas minhas mãos, ao alcance de olhos, pensamentos e emoções, a novela O Alienista, de Machado de Assis. Dele, venho conferindo há anos obras-primas, mas esse texto era uma lacuna e como sou fascinada pelos labirintos da mente, sabia que teria momentos de surpresa e aprendizado com esse autor que tão bem desvenda o humano. Antes, breve aparte. Não se trata de uma edição qualquer, mas de uma delicadeza quase em formato de livro de bolso, pouco maior, e com ilustrações de Portinari (Antofágica, Rio de Janeiro, 2019). Não é pouco, é de tirar o fôlego, de enlouquecer qualquer um...