Acordo no meio da madrugada sem nenhuma razão para isso e me sinto tão descansada e desperta como se tivesse dormido dez horas ininterruptas. Pronta para começar o dia, fazer o café e pegar o jornal que o motoqueiro joga no alpendre de casa. Mas ainda não são nem 3 horas da manhã. O que terá trazido a mim esse despertar tão antecipado, antes mesmo dos galos do vizinho anunciarem a manhã?Muito cedo para ir fazer café, penso. Aliás, muito cedo para fazer qualquer coisa, estou no meio da noite. Decido permanecer na cama (onde mais?) e talvez rezar meus mantras. Dizem que os monges hinduístas se levantam às 3 horas para rezar, pois acreditam ser essa uma hora boa para Deus ouvi-los. Os mantras, até onde eu sei, são sempre de gratidão. Quem sabe eu tenha despertado para isso mesmo, rezar meus mantras aqui, desse lado da Terra, enquanto os monges rezam de lá? Alguma coisa pode estar prestes a acontecer. Mais do que já está acontecendo?, me pergunto. Só se for pro mundo acabar.Então me lembro do amigo que me confessou considerar o Donald Trump o Quinto Cavaleiro do Apocalipse. Não é que deve ser mesmo?Tento me lembrar do que sei sobre essas figuras, esses Cavaleiros. Eles aparecem na Bíblia, no livro Apocalipse, para anunciar coisas terríveis relacionadas com o fim dos tempos da humanidade na Terra. Mas quero me lembrar das cores: um deles acho que era vermelho, um outro é pálido (o que me faz lembrar de um livro da Katherine Mansfield que li há muito tempo, Cavalo Pálido, Cavaleiro Pálido, e antes nunca havia me ocorrido que ela podia estar se referindo a esse Cavaleiro do Apocalipse. Qual deles, qual deles? Vou pesquisar, vou pesquisar, não tenho muita certeza das cores dos cavalos. Agora já estou desperta mesmo. E como diz minha amiga: aos 45 do segundo tempo temos mais é que aproveitar os momentos que nos restam.Ah, sim, achei. É isso: “Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse são personagens da visão profética do apóstolo João no Livro do Apocalipse. Eles representam provações (Conquista (invasões)), Guerra, Fome, Morte. Montados em cavalos de cores distintas, eles simbolizam os flagelos que assolam a humanidade.O cavalo Branco representa a Conquista. Algumas interpretações o veem como o próprio Cristo, ou o evangelho vitorioso; o cavalo Vermelho simboliza a Guerra, o sangue. Tem o poder de tirar a paz da Terra, fazendo com que os homens lutem e se matem; o cavalo Preto representa a fome e a escassez, a inflação extrema em que o alimento se tornará escasso e caríssimo; e o cavalo Amarelo Pálido (ou verde) representa a morte e as pestes. Seu propósito é o de ceifar vidas. Sua cor seria a cor das doenças ou do terror. Eles não são os causadores, mas os precursores das dores e sofrimentos que antecederam o fim”.Deparei com esta outra interpretação sobre o Cavalo Branco - ele não simboliza a Paz, como muitos podem pensar, devido a sua cor. Não verdade, para os teólogos modernos, ele representa o Anticristo, que usa a cor branca para se disfarçar de “salvador”, ou portador da paz, imitando Cristo. O Anticristo, na verdade. Será que está próximo esse estado de coisas?Respondo agora a meu amigo: o Donald Trump, na minha opinião, não é apenas o Quinto Cavaleiro do Apocalipse. Ele é todos eles, amassados e socados para caberem dentro daquela massa alaranjada que o demônio mandou. E junto com ele vieram seus acólitos, oriundos das profundas de uma instância inferior.Não há justificativa para um homem daquele estar presidindo um país, ainda mais um país com tanto poder de destruição.Deve ter sido por isso que acordei: há um louco, o maior de todos, sentado lá em cima, e atirando a esmo.