No Jardim Curitiba, Naziazeno desperta antes do sol… O galinheiro da rua de trás abrevia o sono. Naquela terça-feira, quando pôs os pés no chão frio da meia-água onde mora com a mulher e o filho de quatro meses, já experimentava um cansaço... Lembra do cartão, da fortuna gasta em fraldas, lembra da data de vencimento que se aproxima… Na orla de Miami Beach, Duque sente a água azul turquesa subir até as canelas. Gozou brevemente da mornidão e, quando o mar retrocedia, veio-lhe à memória a Professora Lúcia. Anos letivos atrás, numa sala de escola do subúrbio do Rio, Duque fora advertido. “Não vais ser ninguém se continuar assim”, vaticinou a professora Lúcia, aturdida pelo desprezo daqueles em cuja vida ela sonhara fazer diferença. Duque carregou esse ressentimento. Então puxou o celular e, com a eloquência que lhe consagrou como influencer de apostas, deu o texto: “Eu estou aqui, no mar azulzinho, limpinho, quentinho, gostosinho mesmo. E tu, professora Lúcia? Onde andas? Em Bangu?” Em seguida deu a odd sobre um jogo da segunda divisão da Croácia.