Ontem, celebramos em família o Dia dos Pais, e as lembranças tomam conta dos pensamentos, no exercício do que chamamos de memória profunda, onde encontramos um efeito estimulador para a criação artística. “Relembrar aquelas experiências que nos impelem à reflexão podem nos levar a obter um “acordo” entre nossa consciência com seus problemas, por entendermos as dores da existência – o que parece determinante para a reflexão filosófica”, como ensina o filósofo Eric Voegelin. Quando volto à infância, relembro momentos de muito sofrimento pela ausência do pai. Eu não era o único, muitos dos meninos do orfanato não conheciam seus pais. Foi por volta dos meus onze anos que tomei o baque deste fato, porque no meu registro de nascimento constava “Pai ignorado”, e essa constatação tornou-se uma marca de fogo para o resto da vida.